Luz ao fundo do túnel!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O aborto

Não gosto de discutir este assunto. Não sou religioso embora também não seja ateu. Também não sou mulher e como, por princípio, sou contra limitações da liberdade, tenho dificuldade em ultrapassar a discussão de alma e não-alma que turva esta discussão completamente impossível de se esclarecer.
O que me interessa discutir, depois de ter ouvido um documentário numa rádio, é que há muitas mulheres que fazem aborto por questões unicamente financeiras. Quem conhece alguém que já tenha interrompido a gravidez voluntariamente, sabe que as consequências psicológicas para a maioria das mulheres são muito difíceis de ultrapassar. Leva tempo a sarar a ferida se é que algum dia realmente sara.
E custa-me, sinceramente, ouvir que uma percentagem elevadíssima das mulheres o faz por questões económicas. Porque não querem que o filho tenha uma vida de necessidades não preenchidas, que os outros filhos passem necessidades por causa do irmão(ã) que já (não) virá. Abortar porque se poderá ter um filho com malformações mentais ou físicas consigo compreender. Implica, na maioria dos casos, um sofrimento intenso para a criança que nunca se integrará, assim como para os pais e familiares. Mas porque não haverá dinheiro para o vestir e alimentar? Para lhe dar um abrigo? Compreendo as mães que o fazem. Mas não consigo compreender uma sociedade que chegue a este ponto. Onde uma mulher sinta necessidade de fazer uma coisa que a magoa profundamente porque esta sociedade vive em volta do dinheiro.
Mais uma acha para a fogueira do paradigma que se devia discutir: será esta a sociedade que queremos?

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A Vontade do Povo em 2009

O PM demissionário (demitido!) desta nação dizia ontem que os partidos deviam ser castigados por terem derrubado o governo que foi eleito em 2009, nestas novas eleições.

Façamos um resumo breve do que aconteceu em 2009.

Após ter subido os ordenados à função pública, mentiu por diversas vezes. Disse que o deficit seria cerca de 5% do PIB. Apresentou um programa que nunca tinha tido intenção de implementar. Obteve um resultado inferior a uma maioria absoluta. Sabendo que, na verdade, o deficit era superior a 9%, e também que o país precisava de restruturações profundas, procedeu a fingir que desejava negociar com os partidos da oposição. Só os mais idiotas é que acreditam que ele desejava negociar. Infelizmente este país ainda parece ter trinta e tal por cento de idiotas. Apresentou um OE que sabia, de antemão, que seria insuficiente. Encostou o PSD contra a parede, com a ajuda do ilustre PR, e conseguiu que o mesmo fosse aprovado.

Em 2010, sempre com a ajuda do ilustre PR que estava a meses de se recandidatar, encostou o PSD novamente por diversas vezes. Entre PEC's e OE.

Em 2011, o PSD decidiu que já era tempo de parar com a brincadeira. Por muito que se considere que as razões invocadas são boas ou más, que houve ou não encontro nas vésperas para se informar o líder do que se já tinha negociado com a EU, o facto é que se sabia que não ia haver dinheiro para as mais elementares despesas deste estado. Que iría ser necessária a ajuda externa. Fez uma fita desgraçada, um ai-de-deus-nos-acuda, atirou-se para o chão a recusar responsabilidade no pedido de ajuda, depois na negociação do pedido, depois assumiu uma vitória para Portugal das não-medidas não incluídas no acordo com o trio externo. Agora já governa com o FMI, não irá cumprir medidas incluídas no acordo, e continua a mentir com os dentes todos. O ex-MF já não aparece ao seu lado porque finalmente se sentiu envergonhado, algo que Campos e Cunha já tinha feito 6 meses(não me lembro se foi tanto tempo...)  após empossado.

Conclusão. Tinha ponderado mudar o título do blog, uma vez que muita gente o considera muito agressivo, mas não posso. Não enquanto as sondagens (se forem fidedignas...) continuarem a dar mais de 1% a este cretino que nos levou para a bancarrota, local de onde ninguém sabe ainda se alguma vez conseguiremos sair.

Oh Sócrates! Onde estavas entre 2005 e Março de 2011??? Hein??

terça-feira, 10 de maio de 2011

Apanhar Sujeitos para a Indução de Conceitos Civilizados!

Estava a ouvir na RTPN um tenente-coronel sobre os desacatos de ontem à noite em Odivelas.
Ele falava dos sujeitos de certos bairros considerados como mais perigosos. Aquilo que me fez vir aqui escrever foi a forma como ele se expressou. Ele falava sobre a educação dos jovens habitantes destes bairros. O conteúdo também interessa, como é óbvio.
Ele dizia que a única forma de evitar a perigosidade destes locais era "apanhando" estes miúdos na escola de forma a se conseguir "induzir certos conceitos de civilidade". Se considerarmos que o que queremos é viver em paz, sem problemas de criminalidade, esta forma de actuar poderia ser considerada correcta. O que me desilude ferozmente é, sem dúvida, que esta é a forma de actuar e de pensar de quem possuiu o poder. Indução. Implica contra a vontade. Apanhados... hmmm...
Outra observação que o sujeito fazia era sobre o acato à autoridade. Deve-se sempre acatar de forma rápida e cordial. Mesmo que a autoridade não tenha razão?
A forma como eu imagino o que terá acontecido:

Os agentes policiais foram até um bairro considerado perigoso, respondendo a uma chamada sobre uma suspeição de furto. Chegando ao pé do sujeito que era suspeito, pediram-lhe a identificação. O sujeito resistiu. Resistiu porque a polícia foi cordialíssima e simpatiquíssima. E o irascível suspeito reagiu violentamente.

Se, por um lado, queremos que a polícia entre nestes bairros populados por sujeitos que escapam à indução de conceitos civilizados, por outro lado queremos que a civilidade chegue a estes locais. Para isso, teremos que ir ao cerne da questão. Possibilitar a estes habitantes um acesso igual a uma vida digna. Algo que não acontece. Sobra a "porrada". É mais fácil.

Que mais quererão induzir?

sábado, 30 de abril de 2011

Respeito!

Há formas de demonstrar respeito. Mas a não utilização dessas formas não quer dizer que não se respeite.
Tratar alguém por senhor ou senhora é uma forma de demonstração de respeito. Hoje em dia o você é utilizado de uma forma parecida.
Mas... é também uma forma de manter uma certa distância. Evita o contacto físico que é tão importante para o ser humano. Crianças que nascem prematuras e são colocadas numa encubadora demonstram diferentes níveis de crescimento e saúde de acordo com a quantidade de tempo que são tocadas.
Tratar as crianças por tu e permitir que também o façam é, na minha opinião, saudável. O respeito não está nas palavras mas na forma como são proferidas.
Dizer umas "verdades" aos pais não deveria ser errado. Por muito que as tais "verdades" sejam apenas pontos de vista diferentes. No tratamento por tu entre diferentes gerações quebram-se algumas barreiras e permitem um tratamento de igual para igual.
É muito fácil esquecermos que já fomos mais novos e que discordámos dos nossos pais. E o quanto estão errados quando discordamos deles. E os outros todos que discordam de nós, é claro.
Quem é que nunca ouviu que eles tinham razão porque tinham mais experiência? E todos sabem o quanto a experiência faz diferença na forma como encaramos este mundo. Sem ironia. Mas todos sabem o quanto a experiência de vida não é razão suficiente para termos razão.
Eu costumo distinguir as pessoas como mais inteligentes e menos inteligentes. Não há pessoas burras. Apenas pessoas que não utilizam o cérebro com que nasceram. Uma das demonstrações de inteligência que mais considero é a capacidade auditiva. A capacidade de ouvirmos um argumento de alguém que discorda de nós, de o analisarmos e aproveitar a parte ou o todo desse argumento demonstram inteligência. E respeito!
Se todos pensarmos que termos filhos mais evoluídos que os pais é bom, se lhes ensinarmos que eles devem questionar tudo o que lhes ensinamos, poderemos vir a ter uma sociedade onde o respeito pelo próximo nos distinguirá do reino animal. Em vez de continuarmos a viver na selva com a lei da sobrevivênica.
O respeito é bom. Mas não na forma. Na sua substância.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Contas à portuguesa!

Os jornalistas andam feito baratas tontas à volta da intitulada troika. Somos um país tão letrado que vamos buscar palavras aos russos para denominar esses execráveis seres que nos vão salvar. Altruísmo deve ser a palavra de ordem deles.

O facto é que não sabemos quanto nos vão emprestar. Suspeito que nem o Sócrates sabe. Para isso deveríamos saber em que situação estamos. O que me espanta, sinceramente, é que os jornalistas e comentadores, e provavelmente a restante população desta ainda-nação, acham que as negociações devem ser secretas. Eu não consigo entender se a razão é porque assim podem vender mais jornais com manchetes inventadas ou se é porque realmente acreditam que é assim que deve ser.

As contas públicas deveriam ser isso mesmo: PÚBLICAS!!!!!!!!

Eu vivo a ser enganado desde que nasci. E quero deixar de o ser. O estado está ao serviço do povo e não o contrário. Eu sei que sou romântico... mas não consigo entender.

Eu QUERO SABER quanto devo ao exterior e quantos anos terei de pagar.

Eu QUERO SABER onde tem sido aplicado o meu dinheiro desde que comecei a descontar para este buraco sem fundo.

Eu QUERO SABER para onde vai o dinheiro que todos os meses me descontam na factura de electricidade.

Eu QUERO SABER para onde vai o dinheiro que pago a cada seis meses para os esgotos (para além do mensal que é mais do que gasto de água!).

Eu QUERO SABER para onde vai o dinheiro que me descontaram para a SS. No outro dia ouvi que metade dos investimentos feitos na dívida pública eram por parte desta...

Eu QUERO SABER quantas viaturas tem o estado. Até à unidade. Sem margem de erro.

Eu QUERO SABER exactamente quantas empresas públicas existem. Quantas PPP existem. Quantos empregados tem a função pública. Quanto é que se gasta em inúmeras despesas.

Eu QUERO SABER quantas facturas estão na gaveta e que permitem este governo ter superavit. Para depois não ficar com as calças na mão quando se lembrarem de as pagar.

Eu QUERO SABER a verdadeira situação das contas públicas e não quero ouvir mais as repostas dos meus amigos: "Não podemos fazer nada!"

NÓS TEMOS O DIREITO DE SABER!!!!!!

O DINHEIRO É NOSSO!!!!!

FILHOS DA PUTA!

P.S.: Será de bom tom dizer que me contive a escrever esta mensagem. A vontade era de usar um palavrão a cada 2 palavras.

Que Presidente da República é este?

Há dias, o foleiríssimo deputado Lello escreveu no Facebook que o PR havia sido foleiro. Concorde-se com o dito deputado (ou não), a verdade é que a forma escolhida foi de uma enorme foleirice.

Mas o que me revolta enormemente, num país cujo analfabetismo é gritante, é a forma como este PR decide comunicar com o país a que preside. Para quem se diz representante de todos os portugueses, mandar recados pelo Facebook é de uma extrema falta de consideração.

A única forma que teremos de saber o que sua excelência pensa é de entrarmos na página do dito site e juntarmo-nos à pagina facebookeana da Presidência da República. Como os excelsos jornalistas não têm muito que fazer, têm tempo de estar no facebook à espera de novidades. Para depois comentarem apenas as partes que lhes interessam ou que alguém lhes permitiu interessar.

Se o professor de economia, ilustre representante de uma nação moribunda, deseja dizer alguma coisa, faça um discurso, uma conferência de imprensa, seja o que for. Mas apareça com a sua cara (estou certo que os jornalistas atrás mencionados serão enviados pelas suas cadeias televisivas!) e fale para quem o elegeu. E para os demais também. Quer se queira, quer não, a verdade é que ele nos representa.

Este aceno de mão para um Lima qualquer dizendo que publique as suas ideias numa página qualquer, seja do facebook ou outra qualquer, simplesmente não chega.

Mas que PR é este afinal?

terça-feira, 26 de abril de 2011

Voto em branco?

Será que me darei ao trabalho de ir votar?
Tenho vontade de mudar a forma como este país é governado.
Tenho vontade de muitas coisas, é verdade, mas só mudar poderá não ser suficiente.
Não consigo ver que vantagens me trarão qualquer um dos candidatos a Primeiro-Ministro. Consigo ver a vantagem de não voltar a ver o Engº Pinto de Sousa.
O que realmente não consigo aceitar é este sistema partidário que rege o país. E utilizo a palavra reger no seu sentido mais puro. Que são estes partidos para além de dinastias gastas e sem futuro? Irrita-me que queiram que o país tenha o mesmo futuro que os próprios: a mediocridade.
Eu sei que os portugueses, na sua maioria, o merecem. Mas custa-me viver ao lado de gente tão burra, ignorante, egoísta, desinteressada, sem visão... é melhor parar por aqui pois não quero que a mensagem tenha 3 páginas...

Quando falo com pessoas descontentes, a resposta é sempre a mesma: não se pode fazer nada. Assim como nas várias revoluções que aconteceram neste país, a verdade é que se pode fazer alguma coisa. Só é preciso retirar a cabeça do local escuro, entre as pernas.

Eu sei que não quero governar. Não porque não me ache capaz de fazer melhor. Mas porque não me deixariam. Porque teria que alterar completamente o paradigma financeiro e económico. Porque a minha primeira accção seria, provavelmente, mandar o euro àquela parte. Depois mandava a UE para o mesmo sítio escuro onde andam os deputados europeus... ah... mandava também o FMI e todos os credores, também. Que pena que tenho dos "investidores" que não recuperariam o seu dinheiro. Só é pena é o fundo de investimento da Segurança Social... hummm. Estamos mesmo lixados com F.

A vontade de ir lá colocar um manguito em vez de uma cruz é grande. Demorar 30 minutos a votar para que "a malta" que irá votar PS se sinta mal. Ou do PC. Ou do BE. Ou do PP. Ou dos PEV(alguém vota neles??) Ou do PSD... Mas o manguito nunca seria visualizado pelos candidatos a PM...

A esplanada soa-me bem. Mas desde que o idiota do Bastonário dos Advogados (fiel seguidor do Sócrates) disse para a "malta" se abster... que caraças... os votos brancos contam para alguma coisa? Que molho de bróculos...